quinta-feira, 30 de abril de 2015

Assumindo os medos

Texto também postado em "Brain Damages".

Posso me considerar uma pessoa de muitos temores, e a maioria deles certamente é irracional, mas é até uma coisa positiva. O temor me ensinou a ser prudente, assim como senti-lo me ensinou coisas como "não julgar", "não maldizer", "escutar". E, mais do que isso, aprendi a acolher as pessoas quando elas mesmas se sentem assim, porque posso não saber exatamente pelo que elas passam, mas sei que não é legal. Vejo as pessoas brincando com as inseguranças e os medos das outras, e isso me deixa incomodada, especialmente quando o tom de menosprezo é evidente. Ninguém é obrigado a deixar de lado o que sente só porque o coleguinha acha estúpido, até porque isso não ajuda em nada! Já tentei negar meus medos, muitas e muitas vezes... só consegui piorar. Quando assumi que os tinha, foi mais fácil começar a trabalhar um a um. Claro, ainda sou uma pessoa que tem lá seus milhares de medos, mas exatamente o fato de tê-los assumido já faz com que eu reconheça que, um dia, terei de enfrentá-los, e com certeza será no dia em que eu menos estiver preparada.


Acho que ela pensou em mim quando falou isso!
Já tive uma pessoa que ficou na minha orelha durante muito tempo falando que "era besteira", até o dia em que ele me viu chorar por ter tentado segurar demais um medo. Depois, ele tentava me fazer enfrentar os medos, isso não ajudava em nada, não é um processo pelo qual a gente simplesmente passe, e pressionar é uma forma de detonar nossa auto estima. Então, até mesmo a melhor das intenções pode ser a pior coisa do mundo. Por último, ele teve começou a ter os próprios medos, e foi aí que a empatia surgiu (tarde demais, devo acrescentar). Esse caso foi o mais marcante, mas tiveram alguns engraçados também, como um grupo de amigas que me menosprezava por ter medo de filmes de terror, e quando elas assistiram "Ring - O Chamado" na minha casa, ficaram com medo de ir até o banheiro, porque a casa era muito antiga e meio macabra (eu admito, mas morei lá a vida inteira, então, já não sentia mais tanto medo). Elas me contando no dia seguinte, me senti na obrigação de rir, porque falaram tanto na minha orelha... "Cadê as corajosas agora? Eu avisei que não ia dar certo assistir filme de suspense ali." Bom, eu avisei mesmo! Sou tão medrosa que sei quando as pessoas sentirão medo.


Para que tá feio!
Tem também aquele amigo sempre cheio de boa intenção que tenta te poupar até de um sustinho, te tratando como se você fosse de porcelana. Não é porque você teme algo que se torna uma pessoa incapaz. E aí pode acontecer uma série de coisas: você se acomoda com as facilidades; você se afasta da pessoa por não querer que ela fique no seu pé; você briga com a pessoa, e aí ela te trata como criança; ou (a minha preferida) vocês sentam, conversam e param com isso. Simples, né? Ainda não perdemos a condição de humanos, queridos amigos. É ótimo sabermos que podemos contar com vocês para tudo, mas não queremos, além de tudo, nos sentir um fardo em suas costas. Amamos vocês.

Não, não falei que tenho medo de lápis!
Sempre digo a todos que já acolhi: não adianta tentar enfrentar os medos por alguém, ou estar ao lado da pessoa como chiclete, grudado, achando que vai conseguir "curá-la", esse processo é lento, íntimo e doloroso, apenas esteja lá para a pessoa não se perder, ou simplesmente esteja lá, isso é um conforto por si só. Nunca vou poder passar por uma situação que não é minha, porque não saberei lidar com ela! Vocês também não sabem lidar com as minhas! Vamos apenas praticar a empatia, acho que essa é a melhor forma de a pessoa saber que não está sozinha, certo?


Meça sua indiferença, parça!
E a quem tem medo: não sinta vergonha. Passar por tudo que um medo nos faz passar já é doloroso por si só, e a vergonha causada também é um medo: o do que as pessoas vão pensar. Ou seja, medo de ter medo pras pessoas não saberem que você tem medo. Nossa, dá um nó, né? Pra que complicar, se assumir é mais fácil?

Ah, e tem aquela frase clichê: assumir o medo não é sinal de fraqueza, e sim de força!

Esse foi só um desabafo curto.
Obrigada pela paciência!
Tenham uma boa semana! (:

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Friendzone - uma retratação

Bom, resolvi fazer essa postagem como uma forma até de retratação. Demorei um bom tempo para colocar as ideias no lugar, mas, no final, a verdade tem que ser dita. Eu sempre pensei na Friendzone pelo lado pessoal. Só quem fica na Friendzone sabe como é ruim. Na minha postagem, elenquei algumas coisas que as pessoas poderiam acabar desentendendo, outras... até eu mesma poderia dizer que fui machista, mas não foi bem a minha intenção! Vou fazer um resumo em tópicos:

Feels!

- O surgimento da Friendzone nas redes sociais, e isso eu deixei bem claro, é fruto de uma tentativa de coação de uma das partes. Expor a pessoa na Internet NUNCA é bom, e sempre vai acabar mal pra quem expôs. Acho que mostrei que sou a favor de friendzonear um/uma babaca se ele/ela tentar te coagir. É perfeitamente plausível e justificável. Mas aí entra a parte na qual vou me retratar: friendzonear a mesma pessoa SEMPRE é burrice. Vai chegar uma hora que você vai precisar colocar um ponto final. Desculpa, não dá pra ser amigo de quem só nos atazana e não parece que quer nosso bem. Não tenha medo de dar um ponto final, mas faça isso pessoalmente e com alguma testemunha de confiança (um amigo que não seja em comum é uma boa pedida). Se a pessoa não parar de te perseguir, ela é uma stalker, ou seja, vira caso de polícia.

Sai daqui, seu doido!

- Não sou a favor das imagens, apenas usei para ilustrar. Acho que esses "memes" de Friendzone são exagerados, dão muita importância a um assunto tão simples e pessoal.

- Quando falei das pessoas aproveitadoras, falei de homens e mulheres, e esse ponto tenho certeza de que deixei nítido. As pessoas costumam se acomodar, SIM! Jamais retirarei isso. Se acha normal abusar de uma pessoa boazinha, só porque "ela deixa", você não é uma pessoa legal. Agora, se você pediu pra pessoa parar, e ela não parou... não, não vou falar que problema dela, o problema é seu. Ela acha que merece ser recompensada por ser tão boa pra você, e você não é obrigada a nada, então, o melhor que pode fazer é se afastar. E se a pessoa continuar te perseguindo, mesma coisa do item 1.

- Quanto ao meu caso de Friendzone, atualmente, estou separada. Então, voltei pra Friendzone geral, obrigada!

Tipo isso!

Bom, era mais isso que eu queria acrescentar nos tópicos, e queria deixar uma mensagem, reforçando uma coisa que coloquei ali em cima:

Gentileza não dá atestado de boa índole a ninguém. Se você é gentil, mas acha que merece algo em troca, seus motivos não são nobres. Ninguém é obrigado a te dar nada em troca. Foi gentil? Fez, porque quis. Não cobre de quem não te deve nada!

Acho que ela falou tudo!

Obrigada pela paciência!
Desculpem os transtornos!
Ainda estou em processo de desconstrução.
Tenham uma boa semana! (: